E não sei se era para algo ser dito, mas estou com vontade de dizer que esse ego do tamanho do mundo sufoca, intriga, inibe e desata. Por várias razões, evidentemente. Primeiro porque é inevitável a constatação de que estás pensando somente em você e, ao fazer isso, outra coisa também se destaca aos olhos: não há nem uma centelha de preocupação com o alheio. Marionetes na sua mão mais eloqüente, sapiente, bela e voraz. Que triste... Depois, a mulher de mil bocas e sorrisos, todos adoram, que agradável, que sensacional. Pois bem, hoje estava com frio e ela de blusa de lã e cachecol – eu estava com muito frio mesmo. Sabe o que ela fez? Enfaixou-se no cachecol e me deixou tremendo feito vara verde. Literal, ou nem tanto, considerando que sou um pouco mais roliça. Bom, de importante, depois de passado tanto tempo de uma agonia sem fim, é que hoje me libertei. Ou me sinto liberta, tanto faz. Estou em paz. Hoje a noite será de chocolate quente, cobertor, mantinhas e muitos filmes. Clarice me aguarda, a bíblia também. Sem ego, sem mentiras, sem falsos julgamentos. Vou para minha casinha, acho que nunca tinha ido antes. Estamos ansiosas.
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