Descobri um monte de coisas interessantes sobre mim mesma nos últimos meses. A mais importante, e que me faz querer compartilhar na forma escrita , é que sou, verdadeiramente, mulher. Não que esse fosse um dado empírico não constatável facilmente, mas é que algumas nuances – agradáveis – finalmente fizeram sentido. Pois é, eu me preocupo com o saquinho que vai dentro de cada lixeira, com a lixeira que vai dentro de cada saquinho, com a cor de cada coisa, a textura, o aroma, a sensação não física e não palatável que cada um desses mínimos detalhes representa em minha vida. A cor do esmalte, agora, é muito mais do que pensamento fútil de mulherzinha mimada, a cor do esmalte é representação da minha própria personalidade. E isto só é assim porque olho para as coisas, pessoas, sensações e desejos com uma doçura toda particular, com uma compreensão e preocupação desmedidos. Eu gostei de me ver e sentir assim. Fiquei orgulhosa. Gostei de ter ouvido que viver comigo era como viver como uma boneca - apesar de isso soar, para a maioria dos mortais, como um grande deselogio. Gostei porque, pela primeira vez em anos, eu me senti vista como mulher, e não porque os olhos que me olharam eram bondosos ou gentis – eles não eram mesmo, infelizmente -, mas porque eu realmente sempre fui, essencialmente, alguém para ser tratada como uma mulher - e eu reconheci isso! Reconheci feliz e contente (e até em paz). Essa constatação/reconhecimento acaba sendo importante porque sempre propaguei detestar ser mulher, e detestava mesmo, só via ônus, desrespeito, falta de significação... Mas, felizmente, isso mudou. Hoje sou uma mulher de 27 anos, cabelos compridos, saias nos joelhos – e vestidos, outras saias e shorts bem curtos nos fins de semana – que finalmente percebeu que é interessante, atraente, inteligente, segura e verdadeiramente inteligente – e não, não precisa deixar um dia sequer sua imensa feminilidade de lado para que reconheçam seu valor. Inteligente, aliás, por se dar conta do óbvio e não por construir raciocínios simétricos, ou por compreender um sem número de opiniões do mundo, inteligente por sentir-se feliz em ser o que é. Pois é, agora que tenho orgulho e já não tenho a patética necessidade de ser reconhecida, posso também me tratar com respeito. As fases ruins, a contrário do que muitos acreditam, jamais se repetiram. Eu estou ainda melhor.
1 dividindo...:
Adorei o texto!
Mas senti que você passou por alguma desilusão amorosa de um homem que não te enxergou como "a" mulher que você descreve ser. ;)
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